quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

VENCENDO OS GIGANTES ATUAIS

 Ao ler 1 Samuel 17 à luz do tema bíblico do Grande Conflito, a figura de Golias pode ser compreendida tipologicamente como a personificação de forças que se opõem ao propósito de Deus.

Aplicando essa perspectiva à missão da igreja, os “gigantes” não são inimigos humanos específicos, mas desafios estruturais, espirituais e culturais que procuram intimidar, paralisar ou desviar o povo de Deus de sua vocação missionária. Entre eles, destacam-se:

1.      1. O número de descrentes a serem alcançados

O número de pessoas que se identificam como cristãs são cerca de 2,3 bilhões (aproximadamente 28,8% da população mundial).

 Isso significa que o restante da população — pessoas não identificadas como cristãs — soma aproximadamente 5,6 bilhões de pessoas (cerca de 71,2% da população mundial).

Dentro desse grupo de não cristãos estão diversas categorias: pessoas afiliadas a outras religiões organizadas (por exemplo, islamismo, hinduísmo, budismo, judaísmo etc.); pessoas que se consideram sem religião ou não afiliadas religiosamente (incluindo ateus, agnósticos e "religiosamente não afiliados").

Esses aproximadamente 5,6 bilhões de não cristãos representam o conjunto de pessoas que, segundo as estatísticas demográficas atuais, ainda não professam a fé cristã e que, na perspectiva missionária, seriam um foco prioritário de proclamação do evangelho.

Dentro desse grupo, uma parcela significativa compõe-se de pessoas sem filiação religiosa formal (quase 1,9 a 1,9 bilhões em 2020, representando cerca de 24% da população mundial).


2.      2. A diversidade de idiomas

Outro desafio gigante são as barreiras linguísticas que impedem que o evangelho seja pregado de forma mais rápida. Estima-se que existam mais de sete mil idiomas vivos no mundo, muitos deles falados por grupos étnicos pequenos e geograficamente isolados. Uma parcela significativa dessas línguas ainda não possui qualquer porção das Escrituras traduzida. A ausência de materiais bíblicos no idioma materno compromete a compreensão profunda da mensagem, pois o evangelho é mais plenamente assimilado quando comunicado na língua do coração.

Muitos povos falam línguas ágrafas ou com tradição escrita muito recente. Nesses contextos, a pregação depende fortemente da oralidade, da narrativa e da memorização. Isso exige abordagens comunicacionais distintas do modelo textual ocidental, além de maior investimento em alfabetização, linguística descritiva e métodos orais de transmissão bíblica.

No entanto a manifestação do Dom de Linguas em Atos 2 nos ajuda a entender que esse desafio pode ser superado com a capacitação do Espirito Santo.


3.      3. O Número de missionários transculturais

Estima-se que existam aproximadamente entre 420 000 e 450 000 missionários cristãos estrangeiros atuando em contextos diferentes de sua cultura de origem — isto é, missionários que se deslocaram para além de sua nação ou povo para proclamar o evangelho. Comparado aos 5 bilhões de descrentes, esse é um numero pequeno de missionários para uma obra gigante.

De acordo com um relatório estatístico recente, há aproximadamente 814 missionários transculturais adventistas (mais suas famílias) servindo como missionários em contextos além de sua própria cultura/região. Esses missionários são considerados trabalhadores transculturais que servem em países diferentes daqueles de origem.

Além dos missionários tradicionais, a Igreja Adventista também envolve outros tipos de trabalhadores missionários em fronteiras missionais mais difíceis. Por exemplo, mais de 2 500 pioneiros de Global Mission estão atualmente trabalhando em vários lugares do mundo, focados em regiões onde a presença adventista ainda é pequena ou inexistente


4.      4. O Secularismo e relativização da verdade

   Assim como Golias desafiava Israel diariamente, o secularismo moderno questiona a autoridade das Escrituras e dilui a noção de verdade absoluta. Esse “gigante” enfraquece a proclamação profética, substituindo a centralidade de Deus por valores antropocêntricos ou valores humanos.


5.       5. Medo e acomodação espiritual

   O exército de Israel possuía recursos, liderança e promessas divinas, mas foi paralisado pelo medo. De modo semelhante, a igreja pode conhecer sua missão, mas deixar de cumpri-la por receio de rejeição social, perda de relevância ou perseguição.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:24


6.     6. Confiança excessiva em estruturas humanas

   Saul tentou equipar Davi com sua própria armadura, simbolizando a tendência de enfrentar desafios espirituais com métodos meramente institucionais ou administrativos. Quando a igreja confia mais em sistemas do que na dependência do Espírito, sua missão se torna ineficaz.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:38–39


7. Descrédito interno e conflito entre irmãos

   Antes de enfrentar Golias, Davi teve de lidar com a crítica de Eliabe. De modo semelhante, divisões internas, disputas de poder e falta de apoio mútuo enfraquecem o testemunho da igreja e desviam energia da missão.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:28


8. Perda da identidade espiritual

   Golias representava uma cultura que afrontava o Deus vivo. Quando a igreja perde sua identidade como povo separado e missionário, assimilando valores contrários ao evangelho, ela deixa de oferecer uma alternativa profética ao mundo.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:26


9. Desproporção entre tarefa e recursos percebidos

   A estatura e o armamento de Golias simbolizam a sensação de inadequação diante da magnitude da missão global. A igreja, ao focar na própria limitação, pode esquecer que a missão é sustentada pelo poder de Deus, não pela força humana.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:4–7


10. Descrença no agir histórico de Deus

   Davi fundamentou sua coragem na memória dos livramentos passados. Um “gigante” contemporâneo é a perda da memória espiritual, quando a igreja deixa de recordar como Deus a conduziu ao longo da história e passa a agir como se estivesse sozinha.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:34–37


11. Redução da missão a autopreservação

   O foco de Israel tornou-se sobreviver ao desafio de Golias, e não cumprir o propósito maior de representar o Deus vivo entre as nações. De modo semelhante, a igreja pode transformar a missão em manutenção institucional, em vez de testemunho redentor.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:1–3


12. Linguagem de intimidação cultural

   As palavras de Golias eram tão ameaçadoras quanto sua força. Hoje, discursos ideológicos, acadêmicos ou midiáticos podem intimidar a fé cristã, criando a impressão de que a mensagem bíblica é obsoleta ou irracional.

   Referência conceitual: 1 Samuel 17:10, 16


13. Esquecimento de que a batalha pertence ao Senhor

    O clímax do relato mostra que a vitória não veio da habilidade militar, mas da intervenção divina. O maior “gigante” para a missão da igreja é esquecer que ela participa de uma batalha que pertence ao Senhor e que Ele mesmo garante o resultado final.

    Referência conceitual: 1 Samuel 17:45–47

 

Sob a ótica do Grande Conflito, esses “gigantes” não são invencíveis. Como no vale de Elá, a superação ocorre quando o povo de Deus recupera sua confiança no caráter, no poder e nas promessas de YHWH, assumindo a missão não como empreendimento humano, mas como participação na obra redentora de Deus na história.

Qual o maior desses gigantes na sua opinião? Deixe seu comentário.


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