Aplicando essa perspectiva à missão da igreja, os “gigantes”
não são inimigos humanos específicos, mas desafios estruturais, espirituais e
culturais que procuram intimidar, paralisar ou desviar o povo de Deus de sua
vocação missionária. Entre eles, destacam-se:
1. 1. O número de descrentes a serem alcançados
O número de pessoas que se identificam como cristãs são
cerca de 2,3 bilhões (aproximadamente 28,8% da população mundial).
Isso significa que o
restante da população — pessoas não identificadas como cristãs — soma aproximadamente
5,6 bilhões de pessoas (cerca de 71,2% da população mundial).
Dentro desse grupo de não cristãos estão diversas
categorias: pessoas afiliadas a outras religiões organizadas (por exemplo,
islamismo, hinduísmo, budismo, judaísmo etc.); pessoas que se consideram sem
religião ou não afiliadas religiosamente (incluindo ateus, agnósticos e
"religiosamente não afiliados").
Esses aproximadamente 5,6 bilhões de não cristãos
representam o conjunto de pessoas que, segundo as estatísticas demográficas
atuais, ainda não professam a fé cristã e que, na perspectiva missionária,
seriam um foco prioritário de proclamação do evangelho.
Dentro desse grupo, uma parcela significativa compõe-se de
pessoas sem filiação religiosa formal (quase 1,9 a 1,9 bilhões em 2020,
representando cerca de 24% da população mundial).
2.
2. A diversidade de idiomas
Outro desafio gigante são as barreiras linguísticas que impedem que
o evangelho seja pregado de forma mais rápida. Estima-se que existam mais de
sete mil idiomas vivos no mundo, muitos deles falados por grupos étnicos
pequenos e geograficamente isolados. Uma parcela significativa dessas línguas
ainda não possui qualquer porção das Escrituras traduzida. A ausência de materiais
bíblicos no idioma materno compromete a compreensão profunda da mensagem, pois
o evangelho é mais plenamente assimilado quando comunicado na língua do
coração.
Muitos povos falam línguas ágrafas ou com tradição escrita
muito recente. Nesses contextos, a pregação depende fortemente da oralidade, da
narrativa e da memorização. Isso exige abordagens comunicacionais distintas do
modelo textual ocidental, além de maior investimento em alfabetização,
linguística descritiva e métodos orais de transmissão bíblica.
No entanto a manifestação do Dom de Linguas em Atos 2 nos
ajuda a entender que esse desafio pode ser superado com a capacitação do
Espirito Santo.
3.
3. O Número de missionários transculturais
Estima-se que existam aproximadamente entre 420 000 e 450
000 missionários cristãos estrangeiros atuando em contextos diferentes de sua
cultura de origem — isto é, missionários que se deslocaram para além de sua
nação ou povo para proclamar o evangelho. Comparado aos 5 bilhões de
descrentes, esse é um numero pequeno de missionários para uma obra gigante.
De acordo com um relatório estatístico recente, há
aproximadamente 814 missionários transculturais adventistas (mais suas
famílias) servindo como missionários em contextos além de sua própria
cultura/região. Esses missionários são considerados trabalhadores
transculturais que servem em países diferentes daqueles de origem.
Além dos missionários tradicionais, a Igreja Adventista
também envolve outros tipos de trabalhadores missionários em fronteiras
missionais mais difíceis. Por exemplo, mais de 2 500 pioneiros de Global
Mission estão atualmente trabalhando em vários lugares do mundo, focados em
regiões onde a presença adventista ainda é pequena ou inexistente
4.
4. O Secularismo e relativização da verdade
Assim como Golias
desafiava Israel diariamente, o secularismo moderno questiona a autoridade das
Escrituras e dilui a noção de verdade absoluta. Esse “gigante” enfraquece a
proclamação profética, substituindo a centralidade de Deus por valores
antropocêntricos ou valores humanos.
5.
5. Medo e
acomodação espiritual
O exército de
Israel possuía recursos, liderança e promessas divinas, mas foi paralisado pelo
medo. De modo semelhante, a igreja pode conhecer sua missão, mas deixar de
cumpri-la por receio de rejeição social, perda de relevância ou perseguição.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:24
6. 6. Confiança excessiva em estruturas humanas
Saul tentou equipar
Davi com sua própria armadura, simbolizando a tendência de enfrentar desafios
espirituais com métodos meramente institucionais ou administrativos. Quando a
igreja confia mais em sistemas do que na dependência do Espírito, sua missão se
torna ineficaz.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:38–39
7. Descrédito interno e conflito entre irmãos
Antes de enfrentar
Golias, Davi teve de lidar com a crítica de Eliabe. De modo semelhante,
divisões internas, disputas de poder e falta de apoio mútuo enfraquecem o
testemunho da igreja e desviam energia da missão.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:28
8. Perda da identidade espiritual
Golias representava
uma cultura que afrontava o Deus vivo. Quando a igreja perde sua identidade
como povo separado e missionário, assimilando valores contrários ao evangelho,
ela deixa de oferecer uma alternativa profética ao mundo.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:26
9. Desproporção entre tarefa e recursos percebidos
A estatura e o
armamento de Golias simbolizam a sensação de inadequação diante da magnitude da
missão global. A igreja, ao focar na própria limitação, pode esquecer que a
missão é sustentada pelo poder de Deus, não pela força humana.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:4–7
10. Descrença no agir histórico de Deus
Davi fundamentou
sua coragem na memória dos livramentos passados. Um “gigante” contemporâneo é a
perda da memória espiritual, quando a igreja deixa de recordar como Deus a
conduziu ao longo da história e passa a agir como se estivesse sozinha.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:34–37
11. Redução da missão a autopreservação
O foco de Israel
tornou-se sobreviver ao desafio de Golias, e não cumprir o propósito maior de
representar o Deus vivo entre as nações. De modo semelhante, a igreja pode
transformar a missão em manutenção institucional, em vez de testemunho
redentor.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:1–3
12. Linguagem de intimidação cultural
As palavras de
Golias eram tão ameaçadoras quanto sua força. Hoje, discursos ideológicos,
acadêmicos ou midiáticos podem intimidar a fé cristã, criando a impressão de
que a mensagem bíblica é obsoleta ou irracional.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:10, 16
13. Esquecimento de que a batalha pertence ao Senhor
O clímax do relato
mostra que a vitória não veio da habilidade militar, mas da intervenção divina.
O maior “gigante” para a missão da igreja é esquecer que ela participa de uma
batalha que pertence ao Senhor e que Ele mesmo garante o resultado final.
Referência
conceitual: 1 Samuel 17:45–47
Sob a ótica do Grande Conflito, esses “gigantes” não são
invencíveis. Como no vale de Elá, a superação ocorre quando o povo de Deus
recupera sua confiança no caráter, no poder e nas promessas de YHWH, assumindo
a missão não como empreendimento humano, mas como participação na obra
redentora de Deus na história.

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