1. Jó 4:17 (Elifaz)
"Será o mortal justo diante de Deus?"
2. Jó 9:2 (Jó)
"Como pode o homem ser justo para com Deus?"
3. Jó 15:14 (Elifaz)
"Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce de mulher, para ser justo?"
4. Jó 25:4 (Bildade)
"Como, pois, seria justo o homem perante Deus? E como seria puro o que nasce de mulher?"
O Debate Central
A palavra “justiça” e seus correlatos aparece 45 vezes no livro de Jó. A família semântica do termo “justiça” é uma das mais importantes desse livro.
Curiosamente, essa palavra
(justiça) aparece com uma frequência muito maior do que em muitos outros livros
do Antigo Testamento. Isso confirma a percepção de que o verdadeiro tema de Jó
não é apenas o sofrimento, mas a justiça: quem é justo, quem pode ser declarado
justo e como Deus julga a justiça humana.
Os principais léxicos* hebraicos
(BDB, HALOT, DCH e TWOT) agrupam essas palavras em torno da raiz צדק (ṣ-d-q),
da qual derivam verbos, substantivos e adjetivos relacionados à ideia de
justiça, retidão e justificação. ([Bible Study Tools][1]). Obs. Léxico é uma
obra de referência que explica o significado das palavras de um idioma,
especialmente em seus contextos originais. Na prática, ele funciona como um
"dicionário especializado".
Análise do Termo:
Os termos mais importantes da
palavra “Justiça” são os seguintes:
1. צַדִּיק (ṣaddîq) —
"justo", "reto", "íntegro" (adjetivo)
É o vocábulo mais conhecido da
família. Designa a pessoa considerada justa diante de Deus ou em um julgamento.
No livro de Jó ocorre
aproximadamente 17 vezes, tornando Jó um dos livros que mais utiliza esse termo
em toda a Bíblia. Ele aparece tanto nos discursos de Deus quanto nas falas de
Jó, de seus amigos e de Eliú. ([Biblicom][2])
Entre as
principais ocorrências estão:
Jó 1:1
Jó 1:8
Jó 2:3
Jó 4:17
Jó 8:20
Jó 9:15
Jó 10:15
Jó 12:4
Jó 13:18
Jó 15:14
Jó 17:9
Jó 22:3
Jó 25:4
Jó 27:6
Jó 32:1
Jó 34:5
Jó 36:7
Observe um detalhe interessante. As
três primeiras ocorrências (1:1,8; 2:3) pertencem ao narrador do livro e ao
próprio Deus.
Grande parte das ocorrências
seguintes aparece nos debates entre Jó e seus amigos. A palavra torna-se
praticamente o eixo da discussão.
2. צֶדֶק (ṣedeq) —
"justiça", "retidão", "direito" (substantivo
masculino)
Enquanto ṣaddîq descreve a pessoa
justa, ṣedeq descreve a justiça propriamente dita. No livro de Jó esse termo
ocorre 7 vezes. ([Bible Study
Tools][3])
Exemplos importantes:
Jó 6:29
Jó 8:3
Jó 29:14
Jó 31:6
Jó 33:23
Jó 35:2
Jó 37:23
3. צְדָקָה (ṣĕdāqâ) —
"justiça", "retidão", "justificação" (substantivo
feminino)
Esse termo enfatiza mais a
condição ou qualidade da justiça. No livro de Jó aparece 4 vezes. ([Bible Study
Tools][4])
As principais
ocorrências são:
Jó 27:6
Jó 33:26
Jó 35:8
Jó 40:8
Em outras partes do Antigo
Testamento essa palavra frequentemente descreve a justiça salvadora de Deus
(especialmente em Isaías).
4. צָדַק (ṣāḏaq) — "ser
justo", "ser declarado justo", "ser justificado"
(verbo)
Esse verbo é extremamente
importante. Não descreve apenas possuir justiça. Significa também: ser
declarado justo; ser vindicado; ser absolvido; ser reconhecido como correto.
No livro de Jó ocorre 17 vezes,
mais do que em qualquer outro livro do Antigo Testamento. ([Bible Study
Tools][1])
Isso explica por que praticamente
todos os diálogos giram em torno da pergunta:
Quem será declarado justo?
Esse fato
revela algo muito importante sobre o livro. Somando apenas os principais
derivados da raiz צדק, encontramos aproximadamente:
17 ocorrências de ṣaddîq (justo);
7 ocorrências
de ṣedeq (justiça);
4 ocorrências
de ṣĕdāqâ (justiça/retidão);
17 ocorrências do verbo ṣāḏaq
(ser justo, ser declarado justo).
Isso resulta em cerca de 45
ocorrências da principal família lexical da justiça em apenas 42 capítulos, uma
concentração excepcional. ([Bible Study Tools][1])
Um detalhe teológico
extraordinário
Há um aspecto que, na minha
avaliação, ainda não recebe a atenção que merece na maioria dos comentários.
Cada personagem emprega essa
família de palavras de maneira distinta:
Deus usa “justiça” (ṣaddîq) para declarar Jó justo (1:1; 1:8; 2:3).
Satanás nunca usa a palavra; ele procura
demonstrar que a declaração divina é falsa.
Os amigos usam ṣaddîq, ṣedeq e ṣāḏaq para
afirmar que nenhum homem pode permanecer justo diante de Deus se está sofrendo.
Jó emprega essas palavras para defender sua
integridade e pedir que sua causa seja julgada no tribunal celestial.
Eliú procura deslocar o debate da justiça
humana para a justiça do governo divino.
No final, Deus não redefine o conceito de
justiça; Ele confirma Seu veredito inicial sobre Jó e condena a teologia dos
amigos (Jó 42:7-8).
Conclusão
Essa é a chave estrutural do
livro. A narrativa não pretende responder apenas "por que o justo
sofre?". Sua pergunta mais profunda é: Quem possui autoridade para
declarar alguém justo?
Essa observação, aliada ao estudo do tribunal celestial em Jó 1–2 e Daniel 7, pode servir de fundamento para o tema mais amplo sobre a relação entre justiça, juízo, mediação e justificação em toda a Bíblia.
Esse desenvolvimento oferece uma leitura unificada e
teologicamente rica do livro de Jó.
Mas a certeza individual que o livro passa a nós como leitores é que o ser humano é justificado (perdoado) por Deus; e o Criador o declara justo, como fez com Jó (1:1,8; 2:3) mas também nos transforma em pessoas justas, comunicando Sua justiça através das virtudes concedidas pelo Deus Espírito (Gl 5:22,23).
A Divindade (Deus Pai, Deus Filho e O Deus Espírito) estão empenhados em transformar os humanos pecadores, em pessoas justas novamente - "à imagem e semelhança" de Deus novamente (Gn 1:26.
Glória e Aleluia por isso!

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