O Salmo 13 traz repetidamente uma pergunta – “até quando Yahweh” Salmo 13:1.
Essa pergunta é
repetida 59 vezes em toda Bíblia, sendo 52 vezes no AT e 7 vezes no NT. Ela
expressa a angústia do crente em esperar a intervenção de Deus na história
humana ou na sua própria história pessoal.
Isso porque Deus oferece promessas, soluções e um cenário do fim de todo o mal. Mas a solução não está no nosso tempo esperado, e sim no tempo soberano de Yahweh. Mas nós somos imediatistas; o próprio século em que vivemos, e a cultura cibernética que estamos inseridos, oferece experiências imediatas.
O Tempo do
Salmista
O salmista
repete 4 vezes essa pergunta – “até quando?”. Ele esperava a ação de Deus; e
questionava o tempo da ação Divina.
A autoria desse
salmo é atribuída a Davi, e as perguntas que ele fazia eram sobre o tempo que
ele seria livre do seu inimigo (v4) que era Saul. O tempo que Davi esperava era
onde ele seria livre de sua perseguição, alcançaria o seu reinado ao qual fora
ungido, e por fim alcançaria a promessa Divina. As 4 perguntas de Davi são
nesse contexto.
Hoje ainda
usamos do mesmo questionamento em relação ao tempo que permanecemos aqui neste
mundo e Jesus não retorna; da mesma forma um tempo de perseguição e opressão do
mal.
A pergunta do Salmo
13:1 - Até quando, Yahweh, te esquecerás de mim? Será para sempre?… expressa a
sensação de abandono: “Deus se esqueceu de mim”. Há textos que respondem
diretamente a essa pergunta:
Salmo 77:8–11 —
“Cessou para sempre a sua graça? [...] Esqueceu-se Deus de ser bondoso? [...] Recordarei
os feitos do YAHWEH.”
Isaías 54:7–8 —
“Por breve momento te deixei, mas com grandes misericórdias tornarei a
acolher-te [...] com misericórdia eterna me compadeço de ti.”
Talvez a resposta bíblica mais direta esteja em Isaías 49:14–16, porque Deus responde praticamente à mesma acusação:
Pergunta do
homem: “O Yahweh se esqueceu de mim.” (Is 49:14)
Resposta de Deus: “Eu não me esquecerei de você. Eis que nas palmas das minhas mãos eu a gravei.” (Is 49:15–16)
A Segunda Pergunta
Davi sente: “Ele
se esqueceu de mim.”
Deus responde: “Eu
não me esquecerei de você.”
Davi pergunta: “Será
para sempre?”
Deus responde: “Com
misericórdia eterna me compadeço de você.” (Is 54:8)
Davi lamenta: “Escondeste
de mim o teu rosto.”
Deus promete: “Farei
resplandecer o meu rosto sobre você.” (cf. Nm 6:25)
A Terceira
Pergunta
Salmo 30:5 — “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã.”
Salmo 34:17–18 — “Clamam os justos, e YAHWEH
os escuta e os livra de todas as suas tribulações. Perto está YAHWEH dos que
têm o coração quebrantado.”
Salmo 42:11 — “Por que estás abatida, ó minha
alma? [...] Espera em Deus, pois ainda o louvarei.”
Salmo 55:22 — “Entrega os teus cuidados a YAHWEH,
e ele te susterá.”
Salmo 126:5 — “Os que com lágrimas semeiam com
júbilo ceifarão.”
Isaías 41:10 — “Não temas, porque eu sou
contigo [...] eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento.”
Isaías 49:14–16 — “Sião diz: YAHWEH me
desamparou [...] Eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos
te gravei.”
Isaías 61:3 — Deus promete dar “óleo de
alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado”.
Lamentações 3:31–33 — “Yahweh não rejeitará
para sempre. Pois, ainda que entristeça a alguém, usará de compaixão segundo a
grandeza das suas misericórdias.”
Mateus 5:4 — “Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.”
Mateus 11:28 — “Venham a mim todos vocês que
estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei.”
João 14:1 — “Não se turbe o coração de vocês.
Creiam em Deus, creiam também em mim.”
João 16:20,22 — “Vocês ficarão tristes, mas a
tristeza de vocês se transformará em alegria [...] ninguém poderá tirar essa
alegria de vocês.”
2 Coríntios 4:17–18 — “A nossa leve e
momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória.”
2 Coríntios 7:6 — “Deus, que consola os
abatidos, nos consolou.”
Filipenses 4:6–7 — “Não fiquem preocupados com
coisa alguma [...] e a paz de Deus [...] guardará o coração e a mente de
vocês.”
1 Pedro 5:7 — “Lancem sobre ele todas as suas
ansiedades, porque ele cuida de vocês.”
Apocalipse 21:4 — “E lhes enxugará dos olhos
toda lágrima [...] já não haverá luto, nem pranto, nem dor.”
A Quarta
Pergunta
A última das 4
perguntas é sobre o inimigo do salmista — “Até quando se erguerá contra mim o
meu inimigo?” — esse questionamento encontra respostas especialmente nos textos
que prometem que o domínio dos inimigos é temporário e Deus finalmente intervém
em favor do justo:
Salmo 18:3 — “Invoco Yahweh, digno de ser
louvado, e serei salvo dos meus inimigos.”
Salmo 27:2 — “Quando malfeitores me sobrevêm
para me destruir [...] eles é que tropeçam e caem.”
Salmo 34:19 — “Muitas são as aflições do
justo, mas Yahweh de todas o livra.”
Salmo 37:9–10 — “Os malfeitores serão
exterminados [...] mais um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio.”
Salmo 41:11 — “Com isto conheço que tu te
agradas de mim: em não triunfar contra mim o meu inimigo.”
Salmo 46:1 — “Deus é o nosso refúgio e
fortaleza, socorro bem presente nas tribulações.”
Salmo 54:7 — “Pois ele me livrou de todas as
tribulações; e os meus olhos viram a ruína dos meus inimigos.”
Salmo 56:9 — “No dia em que eu te invocar,
baterão em retirada os meus inimigos; bem sei isto: que Deus é por mim.”
Salmo 92:9 — “Eis que os teus inimigos, Yahweh
[...] perecerão.”
Salmo 118:6 — “Yahweh está comigo; não
temerei. Que me poderá fazer o homem?”
Isaías 41:11–12 — “Eis que envergonhados e
confundidos serão todos os que estão indignados contra você [...] você os
procurará, mas não os encontrará.”
Isaías 54:17 — “Toda arma forjada contra você
não prosperará.”
Romanos 8:31 — “Se Deus é por nós, quem será
contra nós?”
Romanos 8:35,37 — “Quem nos separará do amor
de Cristo? [...] em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio
daquele que nos amou.”
2 Tessalonicenses 1:6–7 — “É justo para Deus
que ele dê em paga tribulação aos que atribulam vocês e que dê a vocês [...]
alívio.”
2 Timóteo 4:18 — “O Senhor me livrará também
de toda obra maligna e me levará salvo para o seu Reino celestial.”
Apocalipse 12:10–11 — “Foi expulso o acusador
dos nossos irmãos [...] eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro.”
Apocalipse 20:10 — o grande adversário
finalmente recebe seu julgamento definitivo.
Resposta: “Mais
um pouco de tempo, e já não existirá o ímpio; você procurará o lugar dele, e
ele não estará lá.” (Sl 37:10)
Conclusão
As quatro perguntas do Salmo 13
revelam quatro dores profundamente humanas: sentir-se esquecido por Deus, não
perceber Sua presença, lutar diariamente com a tristeza e ver o inimigo
aparentemente prevalecer.
Davi não esconde nenhuma delas.
Ele transforma sua angústia em oração. E talvez essa seja a primeira grande
lição: quando não entendemos Deus, ainda podemos falar com Deus. A fé não é
ausência de perguntas; é continuar dirigindo nossas perguntas Àquele em quem
ainda confiamos.
As Escrituras respondem aos
quatro “Até quando?”: Deus não se esqueceu de você (Is 49:15); Seu rosto
voltará a resplandecer (Nm 6:25); o choro não durará para sempre (Sl 30:5); e o
inimigo não terá a última palavra (Sl 37:10).
Por isso, o salmista termina
muito diferente de como começou: “Eu, porém, confio na tua misericórdia; o meu
coração se alegra na tua salvação.” (Sl 13:5)
Observe: ele não diz “eu
compreendo”. Diz “eu confio”.
Essa é a espiritualidade do Salmo
13. Existem momentos em que não teremos respostas para todos os nossos “por
quês” nem saberemos “até quando” determinada situação permanecerá. Nesses
momentos, podemos fazer como Davi: transformar perguntas em oração, tristeza em
confiança e espera em esperança.
Porque aquilo que hoje nos faz
perguntar “Até quando, Senhor?” ainda poderá nos fazer dizer: “Cantarei a
Yahweh, porque me tem feito muito bem.” (Sl 13:6).

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