As palavras dos salmistas dirigidas pessoalmente a Deus nos Salmos 1–41
As Escrituras são a "Palavra de Deus aos humanos". Mas nos Salmos acontece algo extraordinário, elas são "palavras humanas a Deus". Lamento, medo, gratidão, indignação, dúvida, confiança, arrependimento e adoração tornam-se oração.
Essa característica é reconhecida pelos estudos modernos do Saltério. Bruce Waltke observa que, enquanto a narrativa do Antigo Testamento relata os atos poderosos do Senhor, os Salmos apresentam a resposta de Israel a Deus; verdade e emoção encontram-se na oração.
John Goldingay resume a linguagem dos Salmos em quatro grandes maneiras de falar com Deus: louvor, gratidão, confiança e súplica. Walter Brueggemann chama atenção para algo ainda mais pessoal: as orações dos Salmos são dirigidas a um “Tu” conhecido, identificado e pessoal.
É essa dimensão que procuraremos no Livro I do Saltério — Salmos 1–41. Não pretendemos reproduzir todos os versos de oração, mas selecionar algumas das declarações mais pessoais e representativas. As formulações abaixo seguem de perto o sentido do texto hebraico, em tradução livre, justamente para destacar a linguagem direta do salmista diante de Deus.
Salmo 3 — “Tu és o meu escudo”
“SENHOR, como se multiplicaram os meus adversários!” (v. 1)
“Mas tu, SENHOR, és escudo ao meu redor, minha glória e aquele que levanta a minha cabeça.” (v. 3)
“Levanta-te, SENHOR! Salva-me, meu Deus!” (v. 7)
Davi não esconde de Deus aquilo que o assusta. Ele transforma sua percepção da ameaça em oração. Mais impressionante ainda é o movimento de “meus adversários são muitos” para “tu és meu escudo”. Intimidade com Deus é poder dizer a Ele tanto aquilo que nos ameaça quanto aquilo que cremos a Seu respeito. Waltke identifica justamente esse movimento entre lamento, confiança e petição no Salmo 3.
Salmo 4 — “Ouve a minha oração”
“Quando eu clamar, responde-me, ó Deus da minha justiça.” (v. 1)
“Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.” (v. 1)
“Tu puseste alegria em meu coração.” (v. 7)
“Tu somente, SENHOR, me fazes habitar em segurança.” (v. 8)
A oração começa pedindo resposta e termina repousando. Deus não é apenas aquele a quem Davi pede alguma coisa; é aquele em quem ele consegue dormir. A espiritualidade chega a um nível profundo quando a presença de Deus se torna suficiente para aquietar a alma.
Salmo 5 — “Meu Rei e meu Deus”
“Escuta minhas palavras, SENHOR; considera meu gemido.” (v. 1)
“Atende à voz do meu clamor, meu Rei e meu Deus, pois é a ti que oro.” (v. 2)
“SENHOR, pela tua justiça, guia-me.” (v. 8)
Davi chama o soberano do universo de “meu Rei e meu Deus”. O possessivo é teologicamente precioso. Deus é Rei, mas para o salmista Ele é meu Rei. Waltke chama atenção justamente para essa relação intensamente pessoal: “a ti” ele ora e de Deus espera resposta.
Salmo 6 — “Tem misericórdia de mim”
“SENHOR, não me repreendas na tua ira.” (v. 1)
“Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque estou enfraquecido.” (v. 2)
“Minha alma está profundamente perturbada; e tu, SENHOR, até quando?” (v. 3)
“Volta-te, SENHOR, e livra minha vida.” (v. 4)
Aqui a oração não é polida. O salmista diz a Deus que está fraco, perturbado e cansado. O extraordinário dos Salmos é que a fragilidade não interrompe a comunhão com Deus; torna-se matéria-prima da oração.
Salmo 7 — “Em ti me refugio”
“SENHOR, meu Deus, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem.” (v. 1)
“SENHOR, meu Deus, se fiz isso, se há injustiça em minhas mãos...” (v. 3)
“Levanta-te, SENHOR, na tua ira.” (v. 6)
Davi apresenta diante de Deus não somente seus inimigos, mas também a si mesmo. Está disposto a ser examinado. A verdadeira intimidade com Deus não diz apenas: “julga-os”; também pergunta: “há injustiça em mim?”
Salmo 8 — “Quão majestoso é o teu nome!”
“SENHOR, Senhor nosso, quão majestoso é o teu nome em toda a terra!” (vv. 1,9)
“Que é o ser humano para que te lembres dele?” (v. 4)
Aqui o homem não pede; contempla. Olha para os céus e depois para si mesmo. Quanto maior Deus se torna aos seus olhos, mais surpreendente lhe parece que esse Deus se lembre dele. A adoração nasce do espanto: “Como alguém tão grande pode importar-se comigo?”
Salmo 9 — “Eu te louvarei de todo o coração”
“Eu te louvarei, SENHOR, de todo o meu coração.” (v. 1)
“Em ti me alegrarei e exultarei.” (v. 2)
“Tem misericórdia de mim, SENHOR; vê a aflição que sofro.” (v. 13)
Louvor e sofrimento aparecem na mesma oração. O salmista pode dizer “eu me alegro em ti” e pouco depois “vê minha aflição”. Fé madura não precisa escolher entre lágrimas e louvor; consegue levar ambos a Deus.
Salmo 10 — “Por que estás longe?”
“Por que, SENHOR, permaneces distante? Por que te escondes em tempos de angústia?” (v. 1)
“Levanta-te, SENHOR! Ó Deus, ergue a tua mão; não te esqueças dos aflitos.” (v. 12)
Talvez poucas frases mostrem tanta liberdade diante de Deus. O salmista pergunta “por quê?”. A pergunta não significa ausência de fé; paradoxalmente, revela relacionamento. Só reclamamos da ausência daquele cuja presença esperamos. Até a sensação do silêncio de Deus pode ser dita a Deus.
Salmo 12 — “Salva, SENHOR!”
“Salva, SENHOR, porque já não há quem seja fiel.” (v. 1)
O mundo ao redor parece moralmente deteriorado. A reação do salmista não é apenas reclamar das pessoas; é voltar-se para Deus. Quando não consegue mudar o ambiente, ele ainda pode clamar ao Senhor que governa sobre ele.
Salmo 13 — “Até quando?”
“Até quando, SENHOR? Vais esquecer-te de mim para sempre?” (v. 1)
“Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (v. 1)
“Olha para mim e responde-me, SENHOR, meu Deus.” (v. 3)
“Eu, porém, confio no teu amor fiel.” (v. 5)
Quatro vezes aparece “até quando?”. Mas a oração que começa com a sensação de abandono termina em confiança. A fé dos Salmos não proíbe perguntas; ensina-nos a fazer nossas perguntas sem abandonar Deus.
Salmo 15 — “Quem habitará contigo?”
“SENHOR, quem poderá habitar no teu tabernáculo? Quem poderá morar no teu santo monte?” (v. 1)
A pergunta não é “como posso receber algo de Deus?”, mas “como posso viver perto de Deus?”. Há uma espiritualidade superior à busca das bênçãos: desejar a presença do próprio Abençoador.
Salmo 16 — “Tu és o meu Senhor”
“Guarda-me, ó Deus, porque em ti me refugio.” (v. 1)
“Tu és o meu Senhor; não tenho bem algum além de ti.” (v. 2)
“SENHOR, tu és a porção da minha herança e do meu cálice.” (v. 5)
Talvez seja uma das mais belas declarações pessoais do Livro I. Deus deixa de ser apenas aquele que dá a herança e torna-se Ele próprio a herança. A maturidade espiritual chega quando podemos dizer: “Meu maior bem não é aquilo que Deus me dá; é o próprio Deus.”
Salmo 17 — “Ouve-me, Deus”
“Ouve, SENHOR, uma causa justa; atende ao meu clamor.” (v. 1)
“Prova meu coração; visita-me durante a noite; examina-me.” (v. 3)
“Guarda-me como a menina dos teus olhos; esconde-me à sombra das tuas asas.” (v. 8)
A linguagem torna-se extremamente íntima. O salmista quer ser guardado como a pupila dos olhos e escondido debaixo das asas divinas. O Deus juiz diante de quem ele pede exame é também o Deus protetor sob cujas asas deseja esconder-se.
Salmo 18 — “Eu te amo, SENHOR”
“Eu te amo, SENHOR, minha força.” (v. 1)
“SENHOR, minha rocha, minha fortaleza e meu libertador; meu Deus, minha rocha, em quem me refugio.” (v. 2)
Poucas passagens acumulam tantos possessivos: minha força, minha rocha, minha fortaleza, meu libertador, meu Deus. A teologia torna-se experiência pessoal. O salmista não diz somente quem Deus é; diz quem Deus é para ele.
Salmo 19 — “Que minhas palavras te sejam agradáveis”
“Quem pode discernir os próprios erros? Absolve-me dos que me são ocultos.” (v. 12)
“Também da arrogância guarda o teu servo.” (v. 13)
“Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis diante de ti, SENHOR, minha rocha e meu redentor.” (v. 14)
Depois de contemplar a criação e a Torá, o salmista termina contemplando o próprio coração. Quem vê a grandeza de Deus começa a pedir que Deus veja o seu interior.
Salmo 22 — “Meu Deus, por que me abandonaste?”
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (v. 1)
“Deus meu, clamo de dia, mas não respondes.” (v. 2)
“Mas tu és santo.” (v. 3)
“Não te afastes de mim, porque a angústia está perto.” (v. 11)
“Tu és aquele que me tirou do ventre.” (v. 9)
Talvez nenhum salmo mostre tão dramaticamente a tensão da fé. O mesmo homem que pergunta “por que me abandonaste?” continua chamando: “meu Deus”. Eis o paradoxo: ele se sente abandonado, mas ainda se dirige Àquele que parece tê-lo abandonado. A fé ferida ainda fala com Deus.
Salmo 23 — “Tu estás comigo”
O salmo começa falando sobre Deus: “O SENHOR é meu pastor”. Mas quando chega ao vale escuro, a gramática muda:
“Tu estás comigo.” (v. 4)
“Teu bordão e teu cajado me consolam.” (v. 4)
“Preparas uma mesa diante de mim.” (v. 5)
No vale, Deus deixa de ser apenas “Ele” e passa a ser “Tu”. É uma das mudanças mais belas do Saltério: o sofrimento transforma teologia em diálogo.
Salmo 25 — “Mostra-me os teus caminhos”
“A ti, SENHOR, elevo minha alma.” (v. 1)
“Meu Deus, em ti confio.” (v. 2)
“Mostra-me os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas.” (v. 4)
“Lembra-te da tua misericórdia.” (v. 6)
“Não te lembres dos pecados da minha juventude.” (v. 7)
Há algo belíssimo no contraste: “lembra-te da tua misericórdia; não te lembres dos meus pecados.” O salmista conhece a si mesmo e conhece o caráter de Deus. Por isso pode pedir que sua história seja tratada segundo a misericórdia divina.
Salmo 26 — “Examina-me”
“Faze-me justiça, SENHOR.” (v. 1)
“Examina-me, SENHOR, põe-me à prova; prova meus pensamentos e meu coração.” (v. 2)
“SENHOR, amo a habitação da tua casa.” (v. 8)
Não basta pedir proteção. Davi abre a própria interioridade à investigação divina. Quanto mais íntimo é o relacionamento com Deus, menos necessidade existe de esconder-se Dele.
Salmo 27 — “Uma coisa peço”
“Uma coisa peço ao SENHOR e a buscarei: que eu possa habitar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida.” (v. 4)
“Ouve, SENHOR, quando eu clamar.” (v. 7)
“Teu rosto, SENHOR, buscarei.” (v. 8)
“Não escondas de mim o teu rosto.” (v. 9)
O coração da oração não é: “dá-me muitas coisas”, mas “quero teu rosto”. A maior necessidade do salmista é relacional. Ele não procura somente a mão que salva; procura a face daquele que salva.
Salmo 28 — “A ti clamo, minha Rocha”
“A ti clamo, SENHOR, minha Rocha; não permaneças em silêncio para comigo.” (v. 1)
“Ouve a voz das minhas súplicas quando clamo a ti.” (v. 2)
A possibilidade que mais assusta o salmista é o silêncio de Deus. Isso revela quanto a oração depende da expectativa de relacionamento: ele fala porque acredita que do outro lado há Alguém que escuta.
Salmo 30 — “Clamei a ti e tu me curaste”
“Eu te exaltarei, SENHOR, porque me levantaste.” (v. 1)
“SENHOR, meu Deus, clamei a ti, e tu me curaste.” (v. 2)
“A ti, SENHOR, clamei; ao Senhor pedi misericórdia.” (v. 8)
“Transformaste meu pranto em dança.” (v. 11)
A oração agora é memória. O salmista olha para trás e percebe que sua história contém um “tu” divino: tu me levantaste, tu me curaste, tu transformaste meu pranto. A gratidão é a leitura da própria biografia procurando os verbos de Deus.
Salmo 31 — “Nas tuas mãos”
“Em ti, SENHOR, me refugio.” (v. 1)
“Inclina para mim os teus ouvidos; livra-me depressa.” (v. 2)
“Nas tuas mãos entrego meu espírito.” (v. 5)
“Eu, porém, confio em ti, SENHOR; digo: Tu és o meu Deus.” (v. 14)
“Meus tempos estão nas tuas mãos.” (v. 15)
Não apenas sua vida, mas seus tempos estão nas mãos de Deus. Passado, presente, futuro e aquilo que ele não consegue controlar são entregues ao Senhor. Jesus posteriormente levaria aos lábios uma das orações desse salmo na cruz (Lc 23:46).
Salmo 35 — “Contende por mim”
“SENHOR, luta contra os que lutam comigo.” (v. 1)
“Dize à minha alma: Eu sou a tua salvação.” (v. 3)
“Senhor, até quando ficarás olhando?” (v. 17)
Talvez a frase mais íntima seja: “Dize à minha alma: Eu sou a tua salvação.” Davi não quer apenas que Deus faça alguma coisa; quer ouvir de Deus uma palavra que alcance sua alma. Às vezes, antes de mudar as circunstâncias, precisamos que Deus reafirme quem Ele é para nós.
Salmo 36 — “Tua misericórdia chega aos céus”
“SENHOR, tua misericórdia chega aos céus; tua fidelidade, até as nuvens.” (v. 5)
“Quão preciosa é tua misericórdia, ó Deus!” (v. 7)
“Continua tua misericórdia para com os que te conhecem.” (v. 10)
O salmista não consegue falar da misericórdia de Deus sem falar a Deus sobre Sua misericórdia. Louvor é isso: devolver a Deus, em palavras, aquilo que descobrimos sobre Seu caráter.
Salmo 38 — “Não me abandones”
“SENHOR, não me repreendas na tua ira.” (v. 1)
“Senhor, diante de ti está todo o meu desejo; meu gemido não está escondido de ti.” (v. 9)
“Em ti, SENHOR, espero; tu responderás, Senhor, meu Deus.” (v. 15)
“Não me abandones, SENHOR; meu Deus, não fiques longe de mim.” (v. 21)
A frase do verso 9 é uma extraordinária definição de oração: “meu gemido não está escondido de ti.” Há ocasiões em que a pessoa já não consegue organizar suas emoções em palavras. Mesmo assim, diante de Deus, até o gemido é conhecido.
Salmo 39 — “Minha esperança está em ti”
“SENHOR, faze-me conhecer o meu fim e qual é a medida dos meus dias.” (v. 4)
“Agora, Senhor, que espero eu? Minha esperança está em ti.” (v. 7)
“Ouve minha oração, SENHOR; dá ouvidos ao meu clamor; não fiques indiferente às minhas lágrimas.” (v. 12)
O salmista não pede a Deus a ilusão de que viverá para sempre. Pede sabedoria para compreender sua brevidade. E diante dessa fragilidade conclui: “Minha esperança está em ti.”
Salmo 40 — “Tenho prazer em fazer tua vontade”
“Muitas são, SENHOR, meu Deus, as maravilhas que fizeste e os teus pensamentos a nosso respeito.” (v. 5)
“Tenho prazer em fazer tua vontade, meu Deus; tua instrução está dentro do meu coração.” (v. 8)
“Não retenhas de mim tua misericórdia, SENHOR.” (v. 11)
“Agrada-te, SENHOR, em me livrar; SENHOR, apressa-te em ajudar-me.” (v. 13)
“Tu és meu auxílio e meu libertador; meu Deus, não demores.” (v. 17)
Goldingay observa que o salmo passa do testemunho da libertação para palavras diretamente dirigidas ao Senhor; a oração nasce daquilo que Deus já fez e torna-se base para pedir nova intervenção.
A fé possui memória: o Deus a quem peço ajuda hoje é o Deus cujas maravilhas reconheci ontem.
Salmo 41 — “Tem misericórdia de mim”
“SENHOR, tem misericórdia de mim; cura minha alma, porque pequei contra ti.” (v. 4)
“Tu, porém, SENHOR, tem misericórdia de mim e levanta-me.” (v. 10)
“Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade. Amém e amém.” (v. 13)
O Livro I termina de maneira significativa. Depois de tantas súplicas, medos, lágrimas, perguntas, confissões e declarações de confiança, a última palavra é bênção: “Bendito seja o SENHOR”.
Um Deus que podemos nos dirigir com pessoalidade
Ao percorrer os Salmos 1–41, algo chama a atenção: Deus não é uma ideia para os salmistas. É uma Pessoa a quem eles se dirigem.
Eles dizem:
“Meu Deus.”
“Ouve-me.”
“Responde-me.”
“Guia-me.”
“Examina-me.”
“Guarda-me.”
“Não te afastes de mim.”
“Por que me abandonaste?”
“Tu estás comigo.”
“Mostra-me teus caminhos.”
“Tu és meu Deus.”
“Meus tempos estão nas tuas mãos.”
“Eu te confessei meu pecado.”
“Não me abandones.”
“Minha esperança está em ti.”
Essa abundância de primeira e segunda pessoas é uma das marcas espirituais mais profundas do Saltério. Em estudos sobre os Salmos, Brueggemann destaca justamente essa relação “Eu–Tu”: as orações são dirigidas não a uma divindade abstrata, mas a um Deus conhecido pelo nome e pela história de relacionamento com Seu povo.
Por isso, talvez possamos formular a peculiaridade dos Salmos desta maneira:
Nas demais Escrituras, frequentemente ouvimos Deus falando conosco. Nos Salmos, Deus coloca em nossas mãos palavras inspiradas para que aprendamos a falar com Ele.
E isso inclui praticamente toda a experiência humana.
Quando tenho medo: “Tu és meu escudo” (Sl 3:3).
Quando estou angustiado: “Tem misericórdia de mim” (Sl 6:2).
Quando não compreendo Deus: “Até quando?” (Sl 13:1).
Quando me sinto abandonado: “Meu Deus, por que me abandonaste?” (Sl 22:1).
Quando atravesso a escuridão: “Tu estás comigo” (Sl 23:4).
Quando preciso de direção: “Mostra-me teus caminhos” (Sl 25:4).
Quando quero Deus mais do que Suas dádivas: “Teu rosto buscarei” (Sl 27:8).
Quando peco: “Eu te confessei meu pecado” (Sl 32:5).
Quando estou ferido: “Meu gemido não está escondido de ti” (Sl 38:9).
Quando percebo a brevidade da vida: “Minha esperança está em ti” (Sl 39:7).
E quando já não sei mais o que dizer, o Saltério parece ensinar: continue falando com Deus.
Essa talvez seja uma das maiores lições espirituais do primeiro livro dos Salmos. O relacionamento profundo com Deus não é demonstrado pela ausência de medo, dúvida, indignação, tristeza ou perguntas. É demonstrado pelo fato de que todas essas coisas são levadas diretamente a Ele.
O salmista não fala apenas sobre Deus. Ele fala com Deus.
E, falando com Deus, aprende a conhecê-Lo.

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